segunda-feira, 14 de março de 2011

Monstro do Pântano e Alan Moore


Estava revirando meus gibis mais antigos e achei uma edição, da década de 1980, do Monstro do Pântano escrita por Alan Moore, peguei para reler e depois fiquei pensando no quanto as revistas do Monstro do Pântano tem influência nos quadrinhos desde a década de 80.
Bem, tirando o fato de Alan Moore ter escrito e ter influenciado Neil Gaiman, então jovem e pouco interessado nos quadrinhos, a largar o jornalismo e adentrar o mundo estranho das hqs, essas histórias antigas marcaram uma época e um estilo. Moore fez de tudo que pode com o personagem, explorou todos os estilos possíveis de terror e aprofundou ao máximo a personalidade e as características do monstro elemental. Mais de 20 anos depois dessas histórias ainda é difícil precisar a real dimensão da influência desse trabalho nas hqs.
O Monstro do Pântano tornou Moore famoso como roteirista e incentivou as grandes editoras americanas a investirem nos talentos britânicos, como o já mencionado Gaiman, Grant Morrison, Mark Millar, Dave McKean, Warren Ellis, David Lloyd entre outros. 
Contudo, acho que o grande mérito de Moore e do Monstro do Pântano são as histórias atemporais; reler obras de Claremont da mesma época evidencia os erros e tira o brilho de alguns roteiros antes tidos como magistrais, o mesmo vale para as obras "revolucionárias" de John Byrne, cheias de recordatórios e roteiros longos. As histórias de Moore são muito atuais, pois são contos sobre um ser elemental formado por plantas, mas que tem um caráter sentimental muito grande. Além disso, Steve Bissete e John Totleben, desenhos e arte final respectivamente, ajudam a criar a sensação de um organismo vivo nas histórias, parece que o próprio pântano adquiri vida nas páginas inspiradas desses artistas.
Aos interessados, corram aos sebos, busquem na internet, e lembrando, a falida e agora inexistente Pixel Editora lançou um albúm especial com A Saga do Monstro do Pântano, são 192 páginas, lançadas em 2007; o preço não é animador, mas, garanto que vale a pena ter na prateleira. 

sábado, 12 de março de 2011

A Saga da Fênix Negra


Foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos... 
A Saga da Fênix Negra foi, possivelmente, o momento mais marcante na história dos X-Men... Era uma época em que a equipe estava no auge, e com toda certeza foi uma grande queda para os personagens... 
Jean Grey, mais conhecida como Garota Marvel, e o resto do grupo, foi ao espaço combater uma ameaça alienígena em conjunto ao Império Shiar. É lá que a Fênix se manifesta pela primeira vez e salva todo o universo  e assim começa a sega da Fênix Negra.
John Byrne (desenhista e co-roteirista) e Chris Claremont (roteirista) foram a melhor dupla que os mutantes já tiveram, era como Lennon e McCartney fazendo quadrinhos. Enfim, vamos à história... Jean é sequestrada pelo grupo Clube do Inferno; (mutantes milionários que desejam dominar o mundo) o objetivo do grupo era dominar e corremper Jean para, assim, derrotar os X-men. Junte a isso a instabilidade de Jean devido aos poderes crescentes da Fênix e você imagina o que os mutantes passaram.
Num ínterim, Charles Xavier descobre dois novos mutantes, Kitty Pride e Cristal, a primeira uma adolescente que acaba de descobrir seus poderes e a segunda uma artista de boates que faz shows e se aproveita de seus poderes. As duas acabam colaborando com os X-men e posteriormente Kitty se junta ao grupo.
Voltando à Jean, ela ajuda o Clube do Inferno a capturar os X-men, mas ao ver seu amado Scott Summers aparentemente morto, Jean se liberta da ilusão de Jason Wyngarde, o Mestre Mental, mutante capaz de criar ilusões.
Os X-men fogem com a ajuda de Jean, que nota que alguma coisa dentro dela está diferente... Os mutantes passam, então, a lutar com uma de suas companheiras, porém, são derrotados de forma humilhante pelos poderes da Fênix, que após a batalha se lança ao espaço atingindo outra galáxia. Num momento de loucura a Fênix se lança no centro de uma estrela consumindo sua energia e destruindo todo um sistema solar em instantes, causando a morte de milhões de seres.
Embriagada com tanto poder Fênix retorna à Terra e luta novamente com os X-men, que dessa vez, com o auxílio de Charles Xavier conseguem restituir a consciência de Jean, contudo, logo após a batalha os herois são abduzidos pelos Shiar para sua nau captânia. Jean deveria ser sacrificada pelos crimes que cometeu. Partindo em defesa da pupila Charles pede um duelo de honra pela vida de Jean, se vencerem todos ficam livres, se prederem todos morrem.
O duelo ocorre numa cratera da lua que tem condições semelhantes às da Terra. É a batalha final, os X-men contra a Guarda Imperial Shiar, os melhores combatentes do universo. Um a um os mutantes são derrotados até restarem Scott e Jean, que se apresentou para a batalha vestindo seu velho uniforme de Garota Marvel. Ao ver Scott ser atingido Jean perde o controle e manifesta a Fênix mais uma vez; agora a Guarda Shiar e os X-men se unem para evitar um massacre. Atingida por um golpe de Colossus em sua forma de aço, Jean recupera a consciência, mas sabe que não há o que fazer para deter a entidade cósmica que habita seu interior. Num momento de muita ternura e em tom de despedida Jean acessa sua telecinese e aciona uma arma de energia sacrificando-se em prol da existência do universo, diante de um Ciclope (Scott Summers) estarrecido e sem palavras. 
Esta foi a primeira baixa dos X-men. A primeira morte é sempre a mais marcante, ainda mais se é um membro tão querido como Jean Grey. A Saga da Fênix Negra marcou os mutantes para sempre, principalmente Scott que se afastou da equipe por um tempo e passou a questionar seu poder de liderança dentro dos X-men. Esta saga também marcou o fim da dupla Claremont-Byrne à frente dos mutantes e principalmente foi o fim de uma era. Depois dessa história os mutantes nunca mais foram os mesmos...
Foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos... 

quarta-feira, 9 de março de 2011

L'illusionniste


Este é o título de um dos melhores filmes de animação que pintaram nesses tempos. Aqui no Brasil saiu com o nome de O Mágico, o que descaracteriza um pouco a história, pois o personagem título é um ilusionista e não um mágico. 
Este filme concorreu ao Oscar de melhor animação, perdendo para Toy Story 3. É uma animação de Sylvain Chomet, diretor do magnífico "As Bicicletas de Belleville" e conta com o roteiro original do antológico Jacques Tati. O Mágico narra a história de um ilusionista decadente da década de 60 que vê suas apresentações minguarem aos poucos, perdendo espaço para as novas bandas de rock que surgiam. Posso afirmar que não é um filme para crianças, com desenhos tradicionais, sem efeitos 3D, nem cenas chamativas de ação, fica difícil pra criançada acompanhar a história. É uma animação voltada para um público quase artístico, que cria uma ligação emocional com o longa e indentifica-se com os sentimentos dos personagens, que por sinal, são praticamente mudos e mesmo as poucas falas parecem desnecessárias diante das expressões e comportamentos dos personagens.
Estou evitando falar muito do roteiro para não dar spoillers, quero que as pessoas procurem e vejam o filme, para terem sua própria opinião, mas posso adiantar que não é um filme para o grande público, como por exemplo Toy Story, que agrada a grande maioria, mas, aqueles que se mostrarem abertos à experiência de ver e sentir esse longa sairão realizados e emocionados com as belas imagens, os fundos aguarelados, os traços suaves e as expressões magníficas que caracterizam os personagens.
Enfim, um filme para poucos, mas que vale muito a pena ver... quem se dispuser a esta "tarefa" se satisfará e muito; uma grande homenagem ao cineasta francês Jacques Tati e um grande trabalho de Sylvain Chomet.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Coco Antes de Chanel


Bem, eu adoro cinebiografias, sejam elas sobre pessoas reais ou não... E para este post decidi falar sobre o filme que representa a vida de Coco (Gabrielle) Chanel antes da fama; desde a garotinha abandonada num orfanato, passando pela auxiliar de costureira e cantora de cabarés para acabar no início da carreira de Coco Chanel, uma das estilistas que revolucionaram o mundo com suas roupas e seu jeito de ser. 
Então, grande destaque para a interpretação de Audrey Tautou que consegue mostrar com clareza a força de uma das mulheres mais determinadas que já existiu; e como não falar dos outros dois pilares do filme, Alessandro Nivola (que interpreta Arthur "Boy" Cape) e Benoît Poelvooerd (Étienne Balsan), ambos estão primorosos no longa, que por sinal conta com a direção da magnífica e produtíva Anne Fontaine, que já está na casa dos 50 anos de idade e nem por isso deixa de ser excelente, é como um bom vinho que fica melhor com o passar dos anos. 
Todos os fãs de Chanel sabem que Arthur Cape, um milionário inglês, foi o grande amor de Coco, além de grande incentivador, numa época em que as mulheres que trabalhavam não eram bem vistas. Contudo, apesar da grande interpretação do senhor Nivola, este é um dos pontos fracos do filme, a relação de Coco e Arthur, que na miha opinião foi mal explorada pela diretora, que criou um romenace lacrimoso que pode ser conferido em outros filmes de menor qualidade. Enfim, este é um pecado pequeno comparado ao resto do longa.
Para terminar, basta dizer que a trilha sonora é perfeita para o filme, trabalho de um dos melhores da última década, Alexander Desplat. Outro destaque fica por conta do figurino, que num filme que retrata a vida de uma das maiores estilistas do mundo não fica devendo em nada. No fim das contas, entre erros e acertos, acho que os acertos se sobrepõe, e se o longa não é um marco do cinema mundial, ao menos vale a pena dar uma conferida, porque há muitos filmes piores por aí.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Forrest Gump

Depois de alguns anos assisti a um dos meus filmes prediletos e que, apesar de lembrar de várias cenas, não me recordava das emoções que acompanham o filme; é impossível ficar indiferente à algumas cenas que realmente emocionam.
O longa retrata a história de Forrest Gump, personagem-título, que se encontra sentado num ponto de ônibus enquanto conta sua história de vida para ouvintes que se substituem no decorrer da longa história. Forrest nasceu com problemas físicos e mentais, ele tinha um desvio grande na coluna e um Q.I. bem abaixo do normal, contudo, isso não o impediu de ser uma das pessoas mais interessantes e fantásticas do mundo.
Com o pai tendo abandonado a família, Forrest foi criado pela mãe, que sempre fez o possível para dar tudo o que podia a Forrest, dentre essas coisas, uma boa educação e foi justamente no primeiro dia a caminho da escola que ele encontrou o amor de sua vida, Jenny, uma garotinha que sofria abusos do pai e que marca o filme por se tornar um contraponto à história de sucesso do protagonista. Jenny se envolve com quase tudo de ruim que marcou as décadas de 60 e 70, desde drogas à tentativa de suicídio.
Voltando a Forrest, foi num encontro com Jenny, quando criança, que ele descobriu que podia correr muito, ao ser perseguido por "colegas" de escola, ele se viu obrigado a correr e em consequência disso quebrou o aparelho que usava nas pernas para poder corrigir a coluna. Esta é uma das cenas mais profundas e marcante do filme, pois mostra a libertação de um indivíduo das correntes que o prendiam, sejam físicas ou psicológicas.
Não vou me prender muito à história, pois acho que a maioria das pessoas já a conhecem, e os que não conhecem eu recomendo que vejam o filme, por isso não darei detalhes da história. O longa é simplesmente fantástico do começo ao fim, conta com um elenco escolhido a dedo para os papeis, o que torna impraticável uma regravação no futuro. O interessante é que Tom Hanks não era a escolha principal, os indicados iam de Bill Murray a John Travolta; o que depois de ver o longa, se torna impensável dizer que Tom não deveria fazer o filme. Além dele, estão no longa, Gary Sinise (Tenente Dan), Sally Field (mãe de Forrest) e Mykelti Williamson (Bubba) e claro, Robin Wright Penn (Jenny).
Outro destaque fica por conta da trilha sonora que conta com músicas de nomes como Jimi Hendrix, Janis Joplin, Simon & Garfunkel e Bob Dylan. Ganhador de 6 Oscars (Melhor Ator para Tom Hanks, Melhor diretor para Robert Zemeckis, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Edição de Filme, Melhor Fotografia e Melhor Adaptação) além de mais outras 7 indicações. 
O filme é uma mistura de momentos cômicos com momentos muito sentimentais e delicados, o que envolve o espectador e o encanta a cada cena; algumas frases me marcaram muito, entre elas: "idiota é quem faz idiotices", "a vida é como uma caixa de bombons, nunca se sabe o que vai encontrar" e a melhor de todas, "eu não sou esperto, mas sei o que é o amor". Enfim, é um filme para ser visto várias vezes, tanto quanto puder, é uma lição de vida e bom humor e um tapa na cara de muita gente. Abraços a todos e curtam o filme, vale muito a pena.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Oscar 2011

Acabou... depois de algumas horas, muita expectativa e algumas decepções, saíram os vencedores da 83ª edição do Oscar, o prêmio mais coboçado do cinema mundial e que há algum tempo não reflete necessariamente os melhores do ano.
Deixando a enrolação de lado, vamos aos vencedores e os devidos comentários sobre as principais categorias. O grande vencedor da noite foi "O Discurso do Rei" que empatou em prêmios com "A Origem", mas levou as categorias mais importantes.
Por ordem de importância, vamos às premiações:

Melhor Filme: O Discurso do Rei,  Melhor Diretor: Tom Hooper (O Discurso do Rei), Melhor Ator: Colin Firth (O Discurso do Rei) e Melhor Roteiro Original: O Discurso do Rei.
Melhor Atriz: Natalie Portman (Cisne Negro).
Melhor Ator e Atriz Coadjuvantes: Christian Bale e Melissa Leo (O Vencedor).
Melhor Fotografia, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem de Som para "A Origem".
Melhor Trilha Sonora, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Montagem: A Rede Social.
Melhor Animação e Melhor Canção Original: Toy Story 3.
Melhor Documentário: Trabalho Interno.

Essas foram as principais categorias, e agora vamos aos comentários. Os prêmios para O Discurso do Rei foram merecidos, mas acho que Darren Aronofsky (Cisne Negro) deveria ter levado Melhor Diretor, em compensação O Discurso do Rei deveria ter ficado com Melhor Figurino que foi para Alice no País das Maravilhas. Melhor Fotografia deveria ter ido para Bravura Indômita que possui realmente uma fotografia belíssima e não para A Origem que se baseia mais em efeitos especiais que propriamente em fotografia.
Melhor Trilha Sonora deveria ter ido para A Origem e não para A Rede Social, onde a trilha não tem tanta impotância para o longa, Melhor Montagem poderia ter sido para Cisne Negro que tem uma edição no mínimo chocante. E pra fechar, não dá pra entender por que Lixo Extraordinário não levou Melhor Documentário, pois era e é muito melhor que Trabalho Interno.
Enfim, os prêmios foram distribuídos politicamente, contemplando muitos filmes e às vezes deixando de lado alguns favoritos que poderiam e deveriam ter ficado com a estatueta dourada. Uma pequena crítica aos apresentadores James Franco e Anne Hathaway, que estavam visivelmente perdidos na cerimônia e um grande destaque para Celine Dion cantando Smile de Charles Chaplin e o coral de crianças encerrando a festa com Somewhere Over the Rainbow imortalizada por Jude Garland. Agora é esperar o ano que vem e torcer para que os prêmios sejam melhor distribuídos. 

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Muse


Vamos apimentar um pouco as coisas com uma leve pitada de rock... Hoje escolhi falar da banda britânica Muse; um power trio que sacode as plateias por todo o globo. Formada em 1994, a banda chamava-se Rocket Baby Dolls e era (e continua sendo) formada por Matthew Bellamy (vocal, guitarra e piano), Christopher Wolstenholme (baixo, teclado e segunda voz) e por último, mas, não menos importante, Dominic Howard (bateria e percussão).
O estilo do Muse é formado por um conjunto de diversos outros estilos, que variam do rock alternativo, música clássica e até mesmo eletrônica. Foram lançados cinco discos de estúdio, sendo: Showbiz, Origin of Symmetry, Absolution, Black Holes & Revelations e o mais recente The Resistance. Destes albuns eu destaco Origin of Symmetry e The Resistance, pra mim os dois mais interessantes do grupo; são dois discos bem diferentes e que mostram a fluidez da banda por vários estilos; o primeiro tem uma levada mais rock'n'roll, enquanto o segundo tem algo um pouco mais de ópera rock, músicas complexas e até a participação de orquestras.
Para quem gosta de boa música o Muse é um prato cheio, guitarras fortes, vocal potente, músicas bem arranjadas, instrumentistas de excelente qualidade e a tradição inglesa do rock. É interessante lembrar que o Muse já esteve no Brasil abrindo alguns shows de outras bandas, se não estou enganado, foi o caso do show do U2 em 2006, e finalmente em 2008 o grupo britânico fez três apresentações no país como evento principal, só posso dizer que foi um sucesso e os fãs esperam outra oportunidade de ver uma das melhores bandas ao vivo do planeta.
Para os que não conhecem o som dos caras, eu recomendo New Born, Feeling Good, Showbiz, Unnatural Selection e Time is Running Out, vale a pena conferir essas músicas. Bem, um abraço a todos e espero que  tenham gostado do post e das músicas do Muse.